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Torção testicular em meninos: emergência urológica pode levar à perda do órgão

Condição é mais frequente na adolescência e exige atendimento imediato; nas primeiras seis horas, a chance de salvar o testículo pode chegar a 98%

10 de Novembro de 2026 0 comentários

Uma dor súbita e intensa nos testículos pode ser sinal de uma emergência urológica com consequências que vão além da infância e da adolescência. A torção testicular, que tem incidência estimada de um caso para cada 4 mil homens, interrompe a circulação sanguínea no órgão e pode levar à sua perda. Mesmo quando o testículo é preservado por cirurgia, o problema pode deixar alterações que comprometem a fertilidade no futuro.

Foto: Divulgação

Diante desse cenário, o Hospital Pequeno Príncipe, maior e mais completo hospital pediátrico do país, alerta para a importância de reconhecer os sinais da torção testicular e buscar atendimento médico imediato. “É uma emergência urológica importante, porque, quando o testículo fica sem receber sangue, começa a sofrer. Com o passar do tempo, pode ficar necrótico, e a criança perder o órgão”, explica Karin Schultz, cirurgiã pediátrica urológica da instituição.

A torção testicular é mais frequente na adolescência, especialmente entre os 12 e 18 anos, com pico de incidência entre os 13 e 14 anos. Mas, em casos raros, pode acontecer no período neonatal. A condição ocorre quando o testículo gira em torno do cordão espermático, estrutura que o conecta ao corpo e por onde passam os vasos sanguíneos.

O alerta ganha relevância durante o Novembrinho Azul, movimento instituído pela Lei n.º 14.694/2023, que ampliou as campanhas de conscientização sobre a saúde masculina para meninos de até 15 anos. A iniciativa busca chamar atenção para os cuidados com a saúde sexual e reprodutiva desde a infância.

Dor repentina é o principal sinal de alerta

Em aproximadamente 99% dos casos, a torção testicular começa com uma dor súbita. O menino geralmente consegue identificar o momento exato em que o desconforto começou, mesmo que esteja parado ou realizando uma atividade cotidiana.

A dor costuma ser intensa e pode vir acompanhada de outros sinais de alerta:

  • inchaço e vermelhidão na região;
  • sensibilidade ao toque;
  • alteração na posição do testículo;
  • náuseas e vômitos.

As primeiras seis horas fazem a diferença

O tempo entre o início da dor e a intervenção cirúrgica é determinante para preservar o testículo. A possibilidade de salvar o órgão pode chegar a 98% quando a cirurgia é realizada nas primeiras seis horas após o início do quadro. Quando esse período chega a 24 horas, a chance cai para menos de 60%. Depois de 24 a 48 horas, a possibilidade de preservação é praticamente nula.

“É uma emergência vascular. Quanto mais tempo passar, maior será o período em que o sangue deixa de chegar adequadamente ao testículo e maior a chance de perdê-lo”, realça Karin Schultz.

A interrupção prolongada do fluxo sanguíneo pode provocar uma isquemia irreversível, levando à perda do testículo. Contudo, as consequências não se limitam a esses casos. De acordo com a Sociedade Brasileira de Urologia (SBU), mesmo jovens que conseguem preservar o órgão após a cirurgia podem apresentar alterações no espermograma e dificuldades reprodutivas no futuro. Também pode ocorrer infecção local.

Não é preciso esperar a dor passar

O diagnóstico é realizado a partir da avaliação médica e do exame físico. Quando há dúvidas, pode ser solicitada uma ultrassonografia com doppler, que permite verificar a presença de fluxo sanguíneo no testículo. O tratamento é cirúrgico e busca desfazer a torção e restabelecer a circulação sanguínea, na tentativa de preservar o órgão.

Diante de uma dor testicular aguda, especialmente em adolescentes, a orientação é procurar um serviço de saúde imediatamente. “A família não deve esperar até o dia seguinte nem tentar resolver o problema com automedicação. É preciso procurar atendimento o mais rápido possível, porque cada hora faz diferença na possibilidade de salvar o testículo”, reforça a cirurgiã pediátrica urológica do Pequeno Príncipe.

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