O que nos ensinou a Copa - Papai Educa

O que nos ensinou a Copa

O nosso papel como pais não é impedir que nossos filhos sofram com as frustrações; é permanecer ao lado deles quando isso acontecer

19 de Julho de 2026 0 comentários

A seleção foi eliminada. Vieram as lágrimas, o silêncio e aquela sensação de que tudo acabou cedo demais. Na minha casa, quem mais sentiu foram meu filho de 9 anos e minha caçula de 5. Eles choraram de verdade. Não pelo resultado apenas, mas porque, para uma criança, a Copa do Mundo é muito mais do que futebol, do que a polêmica das apostas esportivas (bets), de uma decisão de negócios. É sonho.

Foto: Arquivo Pessoal

Enquanto, eu e minha esposa, consolávamos os dois, me dei conta de que havia uma oportunidade escondida naquele momento. Como pai, eu podia escolher entre encerrar a história ali ou mostrar que algumas jornadas merecem continuar, mesmo quando o final não é o que esperávamos.

Foi então que decidimos seguir com o álbum de figurinhas. Confesso que, por alguns minutos, pensei em deixá-lo de lado. Afinal, o Brasil já não disputaria mais a taça. Mas qual mensagem eu passaria aos meus filhos? Que só vale a pena terminar aquilo que dá certo? Que o entusiasmo depende exclusivamente da vitória? Não.

Continuamos abrindo pacotinhos, trocando figurinhas, comemorando cada espaço preenchido. Foi a mesma empolgação? Não. Mas o álbum deixou de ser apenas uma coleção. Tornou-se uma pequena aula sobre perseverança.

A infância é feita desses detalhes que parecem simples aos olhos dos adultos, mas que permanecem na memória por muitos anos. Um álbum completo não vale apenas pelo papel. Vale pelas conversas na mesa, pelas negociações de figurinhas repetidas, pela ansiedade antes de abrir um envelope e pela alegria de encontrar aquela que faltava.

Meu filho tem 9 anos. Se tudo seguir como imaginamos, esta talvez seja a última Copa que ele vive plenamente como criança. Na próxima, já estará entrando na adolescência, vivendo outras descobertas, outros interesses, outras formas de enxergar o mundo. Essa percepção me fez olhar para este Mundial de um jeito diferente.

Mais importante do que ensinar quem ganhou ou perdeu é mostrar que derrotas fazem parte da vida. Elas machucam. Frustram. Fazem chorar. E está tudo bem. O nosso papel como pais não é impedir que nossos filhos sofram. É permanecer ao lado deles quando isso acontecer. É mostrar que um resultado ruim não define quem somos. Que é possível levantar, seguir em frente e terminar aquilo que começamos.

Vivemos tempos em que desistir parece cada vez mais fácil. Trocamos de planos rapidamente, abandonamos projetos no primeiro obstáculo e, muitas vezes, confundimos frustração com fracasso definitivo.

Talvez por isso a Copa tenha deixado uma lição tão importante dentro da minha casa. Nem sempre venceremos. Nem sempre veremos o Brasil campeão. Nem tudo acontecerá como sonhamos.

Mas não podemos nos acostumar com a derrota. Não devemos nos conformar com ela. Muito menos deixar que ela nos impeça de continuar. Às vezes, seguir significa apenas abrir mais um pacote de figurinhas. E, no fim das contas, é justamente nesses pequenos gestos que educamos nossos filhos para as grandes batalhas da vida.

 

DEIXE SEU COMENTÁRIO

O comentário é de responsabilidade exclusiva de seu autor e não representa a opinião deste site. Após avaliação, ele será publicado. Seu email será preservado.

MAIS 0 COMENTÁRIOS

Nenhum comentário para este artigo.

compartilhando a
paternidade ativa

© 2026 Papai Educa
Todos os direitos reservados.

Assine o blog

Inscreva-se e receba atualizações do nosso conteudo no seu email.